Calendário astrológico
Eclipses: o que são, quantos acontecem e como ver do Brasil
Solares e lunares, com o que dá para observar daqui.
Eclipse é o alinhamento em que um corpo entra na sombra do outro: no solar a Lua cobre o Sol, no lunar a Terra projeta sua sombra sobre a Lua. Acontecem entre quatro e sete por ano, sempre em pares ou trios separados por cerca de duas semanas, e nem todos são visíveis de qualquer lugar do planeta. Todo eclipse solar acontece numa Lua Nova, e todo eclipse lunar numa Lua Cheia.
Eclipses ano a ano
Datas e horários calculados das efemérides, no fuso de Brasília.
Por que não há eclipse toda lua nova
Se a órbita da Lua estivesse no mesmo plano da órbita da Terra em torno do Sol, haveria um eclipse solar a cada Lua Nova e um lunar a cada Lua Cheia — vinte e quatro por ano. Mas o plano lunar é inclinado cerca de cinco graus, e na maioria das lunações a Lua passa acima ou abaixo da linha que ligaria os três corpos. Os dois pontos em que os planos se cruzam chamam-se nodos lunares, e só quando uma Lua Nova ou Cheia acontece perto de um nodo é que a sombra encontra o alvo. Como os nodos giram lentamente, essas janelas se repetem a cada cinco meses e meio aproximadamente, e é por isso que os eclipses se concentram em duas ou três temporadas curtas por ano em vez de se espalharem pelo calendário.
Os quatro tipos
No solar total, o disco da Lua cobre o do Sol por inteiro e o dia escurece por alguns minutos numa faixa estreita da superfície terrestre. No anular, a geometria é a mesma, mas a Lua está mais longe da Terra e seu disco aparente é pequeno demais para cobrir o Sol — sobra um anel de luz na borda, e não escurece de verdade. No parcial, a sombra central não encontra a Terra e o Sol aparece com uma mordida. Nos lunares há três graus: o total, em que a Lua inteira entra na sombra escura da Terra e costuma ficar avermelhada; o parcial, em que só parte dela entra; e o penumbral, em que a Lua atravessa apenas a sombra difusa externa e o efeito é um leve escurecimento que muita gente não percebe a olho nu.
Eclipses vêm em par
Como a janela do nodo dura algumas semanas, um eclipse solar quase sempre vem acompanhado de um lunar cerca de quinze dias antes ou depois — às vezes três eventos numa mesma temporada. E o par cai sempre no mesmo eixo do zodíaco. No eclipse solar, Sol e Lua estão juntos no mesmo signo, porque é uma Lua Nova; no lunar, estão em signos opostos, porque é uma Lua Cheia. Por isso a leitura astrológica trata os dois signos como uma coisa só: um eclipse em Virgem é também um eclipse no eixo Virgem-Peixes, e a temporada seguinte de eclipses costuma cair no mesmo eixo, cerca de seis meses depois.
O que a astrologia lê nisso
A tradição trata o eclipse como uma lunação amplificada, ligada a começos e fins que não estavam no planejamento. A parte útil dessa leitura é o ritmo: os eixos de eclipse se deslocam a cada dezoito meses aproximadamente, o que dá um ciclo longo o suficiente para descrever fases da vida em vez de humores da semana. A parte que convém tratar com ceticismo é a previsão de catástrofe. Eclipses são frequentes — vários por ano, todo ano — e um evento que acontece cinco vezes por ano não pode ser a explicação de nada excepcional.
O que significa dizer que é visível do Brasil
Para o eclipse lunar, a resposta é simples: quem tem a Lua acima do horizonte no instante do pico vê o fenômeno, e vê o mesmo que todo mundo. Como o Brasil inteiro cabe em poucas horas de fuso, quando um eclipse lunar é visível daqui costuma ser visível do país inteiro. Para o eclipse solar é diferente. A sombra da Lua desenha uma faixa estreita sobre a superfície da Terra, e a mesma data pode ser um espetáculo em Porto Alegre e quase nada em Manaus. Por isso este site responde a pergunta capital por capital, com a fração do disco solar coberta em cada uma. No anular de 6 de fevereiro de 2027, por exemplo, Porto Alegre vê 83% do Sol coberto e Manaus, 8%. Publicar só a média seria enganoso.
Observar com segurança
Eclipse lunar pode ser observado a olho nu sem qualquer risco: a luz que se vê é a da Lua, que já é reflexo fraco. Eclipse solar é o contrário e não admite improviso. Óculos escuros, filme fotográfico velado, chapa de raio X, vidro esfumaçado e o reflexo na água não protegem — todos deixam passar radiação suficiente para queimar a retina, e a queimadura não dói no momento em que acontece. O equipamento adequado é o filtro solar certificado para observação, ou a projeção da imagem numa superfície, que dispensa olhar diretamente. Isso vale inclusive na fase parcial de um eclipse total.
Perguntas frequentes
- Quantos eclipses acontecem por ano?
- No mínimo quatro e no máximo sete, contando solares e lunares. Anos com muitos eclipses costumam ter eventos fracos: 2029, por exemplo, tem seis, e quatro deles são eclipses solares parciais.
- Por que o eclipse solar não é visível de todo lugar?
- Porque a sombra da Lua projetada sobre a Terra é pequena — poucas centenas de quilômetros de largura no caso da sombra total. Ela varre uma faixa do planeta enquanto a Terra gira, e fora dessa faixa o eclipse aparece parcial ou nem aparece.
- O eclipse lunar deixa a Lua vermelha?
- Só o total, e a causa é a atmosfera terrestre: ela filtra o azul e desvia o vermelho para dentro da sombra, que é a mesma física do pôr do sol. Eclipses parciais e penumbrais não produzem esse efeito.
- Eclipse é perigoso?
- Como fenômeno, não. Olhar diretamente para um eclipse solar sem filtro adequado é, e o dano à retina pode ser permanente. O eclipse lunar não oferece risco nenhum e pode ser observado a olho nu.